segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Sobre Elias
quinta-feira, 11 de julho de 2013
médico
Um médico de coração. É que eu estou doente.
Rápido, um médico aqui!
Tem que entender de coração, um especialista se possível.
Alguém que saiba cuidar bem do coração. Do meu coração.
Eu não quero um cardiologista, eles não entendem nada! Eu quero um médico que cure dor e não doença.
Mas tem que ser rápido! Eu não sei se eu vou aguentar....
As vezes a dor dói mais que doença. Tem doença que nem dói.
Mas meu coração dói muito.
Rápido! Se mexe, faz alguma coisa... Chama logo!
Disca o número. O número certo... só tem um!
Não demora... ele tá fraco...
Não sei se eu consigo explicar os sintomas...
Isso que eu sinto é agudo, é uma dor que toma o corpo e a mente... mas ela começa no coração.
Agora eu entendo quando dizem que o coração é o centro da vida.
Eu tô sem centro... eu tô sem vida.
Um médico de coração aqui!! Pelo amor de Deus!
Eu tô com o coração na mão. pulsando. Preciso engolir ele de novo e deixar ele no peito. Alimentando meu corpo.
É difícil respirar sem coração. eu não consigo... mas....preciso.... esperar.
Só cuidando dele mesmo pra sarar. recuperar.
O coração não se regenera sabia?
eu aprendi isso, não igual estrela do mar. Não nasce outra parte no lugar, ele tem que ser cuidado.
Já tá vindo??
Que bom, porque eu sinto... e ainda pulsa.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
encaixe
domingo, 16 de dezembro de 2012
na mão
Oi. Ela respondeu.
fizemos silêncio.
é bom fazer silêncio junto com você. Eu disse.
Ela sorriu.
Eu sorri.
Continuamos em silêncio.
Eu peguei na mão dela.
Você gosta de entrelaçar os dedos das mãos? eu perguntei.
Eu gosto. Ela disse.
Eu gosto de medir a palma da mão. Ela disse.
Eu gosto de colocar a mão pra fora da janela do carro na estrada. Eu disse.
Eu gosto de olhar a luz do sol atravessar os dedos bem abertos da mão. Ela disse.
Eu gosto de passar um pouco de cola na mão, esperar secar e depois ir tirando devagarinho. Eu disse.
Eu gosto de passar a mão sobre texturas diferentes. Ela disse.
Eu gosto da sua mão. Ela disse.
Eu sorri e entrelacei os dedos com ela.
Fizemos silêncio.
Você quer um sorvete? Eu perguntei.
Ela sorriu.
sábado, 27 de outubro de 2012
Não pensa que é pra você
um tanto, que é maior que a árvore mais antiga e de um jeito mais bonito que aquela canção do Roberto.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
memória
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Carta
você ainda não sabe muito bem quem sou eu... Na verdade, você nem sabe que eu existo, o que por um lado é bom, porque eu posso mostrar o melhor de mim pra você, eu posso me conhecer melhor e ficar guardando um monte de coisas legais pra quando você chegar, por outro é ruim, porque é uma espera longa... sabe aqueles momentos que você fica andando de um lado pro outro e não sabe o que fazer com as mãos? É isso, só que por dentro!
Desde que fiquei sabendo que você viria, eu tenho pensado muito em você, e pensado no que vamos fazer juntos, onde posso te levar, o que posso te apresentar, e mesmo você tendo avisado com quase 9 meses de antecedência que viria, o tempo parece curto pra arrumar tudo, talvez porque a busca seja pela perfeição... Mas eu aposto uma pizza com você que você nem vai ligar pra isso tudo, a gente é que é besta... Adultos são assim, então aprenda logo, ou melhor nos ensine logo!
É claro que você vai gostar de tudo o que te espera, (aposto outra pizza com isso), porque tem uma mulher, que eu chamo de Nath, Nathalia, Na, mas você vai chamar de outra coisa... ela é bem da caprichosa sabe, cuida de tudo... e junto com ela tem o Gu, que eu chamo de vários apelidos e nome diferentes também, mas que provavelmente não servirão pra você...esse também tem um coração enorme e juntos eles vão cuidar tanto de você, que será impossível não gostar!
Você vai entender todas essas coisas muito antes de aprender a ler todas essas palavras, mas escrevendo a gente tenta registrar a emoção do momento, escolhendo as melhores palavras e tentando com isso congelar as sensações.
Hoje tive uma sensação muito boa, descobri que eu vou ser seu padrinho, é isso mesmo, PA-DRI-NHO.
Pra você entender melhor:
Padrinho é o cara legal, aquele que leva a gente pra lugares divertidos, que conta histórias legais, que ensina um monte de coisa pra gente e ainda paga um sorvete de duas bolas com cobertura!
Pois é, eu sou esse cara agora!
Até já!
Um beijo.
V.
sábado, 4 de agosto de 2012
O abraço do homem entregue
A vida que ele queimou, que ele não viu acontecer. Não por ser obrigado a nada, ou estar preocupado demais com obrigações, simplesmente por não ter feito nada.
Na noite que antecede a saída do homem do apartamento, ele sonha com a possibilidade de encontrar alguém, seja esse alguém um amigo, uma namorada, uma futura esposa ou até um filho perdido por aí, que agora irá transformá-lo em outro.
Esse alguém não diz palavras, ou frases ou qualquer comunicação verbal, eles se entendem em outro nível, eles se conectam pelo olhar e passam a saber tudo um do outro, ao passo que seus movimentos passam a se parecer e o homem já não se sente mais só, ele agora é multiplicado pela companhia de um outro.
Esse homem multiplicado ganha uma nova visão, uma nova lei. Ele não obedece mais aquela velha rotina que esgotava seus músculos de tanto repetir movimentos sem a possibilidade de evoluir.
Ele agora sente os aromas da cidade em que vive, ele percebe em seu corpo uma energia jamais percebida antes que o permite caminhar pelas ruas com a cabeça erguida.
Esse novo homem agora ganha forças para se interessar por alguém, ele agora ama pessoas pelas ruas da cidade, ele ama pessoas que entregam pizza, ele ama pessoas que encontra no elevador, ele ama pessoas que varrem as ruas e ama pessoas que seguram portas de elevadores quando o avistam chegando.
Ele ama loiras altas com silicone nos seios e a bunda dura de tanto frequentar a academia, ele ama homens de terno preto falando ao celular enquanto caminham apressados, ele ama crianças com o nariz escorrendo que seguram a barra da saia da mãe implorando por colo.
Ele com esse amor maior que seu corpo sai pela rua e passa a abraçar pessoas, a todas elas, ele abraça sem interesse sexual ou de qualquer outra espécie, ele abraça, ele tem que abraçar para expressar esse amor...
Ele então abraça um homem que se prepara para o salto definitivo, o salto a busca da morte, no metrô, no horário de pico, no caos da cidade, ele abraça o homem.
O homem retribui o abraço sem se preocupar de onde vem aquilo, ele abraça de volta e chora e amolece o corpo. Ninguém repara nos dois.
O dois homens ali, abraçados transformam suas vidas.
Um diz obrigado, o outro esboça um sorriso ainda com lágrimas nos olhos.
Caminham em direções opostas.
Ele acorda.
domingo, 17 de junho de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
De quem sou eu
Que talvez eu valha a pena.
Eu tinha esquecido de mim, de quem eu era, do meu sabor, do meu desejo, dos meus anseios.
Nessa lembrança eu resgatei lá de dentro um garotinho desse tamaniquinho de cabelo encaracolado, que sonhava com tudo e que podia tudo, porque não sabia de nada, ou talvez de tudo.
Eu lembrei que eu posso ser o que eu quiser, fazer o que eu quiser e morar no mundo que eu quiser.
Com um sorriso confiante de criança, que as vezes ainda surge no meu rosto, eu sinto que isso está em mim, e usando as palavras de um sábio malandro da música brasileira como inspiração eu canto: " eu sou assim, quem quiser gostar de mim.... eu sou assim"
segunda-feira, 4 de junho de 2012
de manhã
Esperei um pouco fingindo estar dormindo torcendo pra que ela voltasse do banheiro. Nada.
Fiquei ainda esperando e inventando um café da manhã ou alguma desculpa pra estar sozinho.
Mas nada aconteceu.
Comecei a me sufocar na cama.
Então, me sentindo bem estranho, fui até o banheiro e quando senti o piso frio com meus pés ainda quentes, me deparei com as marcas de batom escritas por ela em toda a extensão do meu banheiro.
Ela não teve dó.
Disse tudo o que queria, sem medo de acabar de vez comigo.
As letras começavam no espelho e atravessavam as paredes e chão e teto e aquele ódio todo colocado ali e me obrigando a ler palavra por palavra, letra por letra, me deixava claro que ela tinha me deixado.
Que agora eu já não estava sozinho, eu estava abandonado. É muito pior estar abandonado.
Sentei no vaso e fiquei estático, paralisado, derramando lágrimas e olhando pro azulejo azul claro todo rabiscado e bem na minha frente eu lia com clareza alguns daqueles golpes verbais.
"... e do seu lado eu não consigo mais sorrir, eu te odeio..."
" Você nunca me fez bem."
Liguei o chuveiro e fiquei sentando, pelado, misturando a água quente com minhas lágrimas frias até a fonte secar.
sábado, 17 de março de 2012
Quarta Feira
Então me dei conta de que a verdadeira surpresa mora em pequenas atitudes, e momentos inesperados e ações do coração.
É uma questão de ouvir.
Escutar é uma e talvez a mais importante ação do ser humano.
Quero abraços e beijos como se fossem flores só porque é quarta feira.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
desastre

Eu escrevo isso pra você que chora sentada na porta de casa, segurando o celular e não acreditando no que ouviu.
Você que levantou pensando no encontro que teria a noite e na roupa que iria vestir.
Você que ensaiou as palavras pra não dizer nenhuma bobagem.
Eu escrevo tudo isso pra você que economizou as últimas gotas do seu melhor perfume para o dia de hoje.
Pra você que separou os sapatos na semana passada.
Pra você que compôs mentalmente uma trilha sonora para o grande momento.
Você que escondeu as revistas dos cantores sertanejos contando que ele viesse a sua casa.
Você que sentiu em um dia pelo menos, a tal da felicidade.
Você que enxergou um Coelho na Lua.
Escrevo pra você que soluça e derrama lágrimas no vestido de flor.
Pra você que tem a maquiagem borrada e não tem coragem de dizer isso a ninguém.
Você que não tem força para se colocar em pé.
Escrevo isso pra você, que ainda ama, mas não é mais correspondida.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Quase Zoo
Foi então que decidimos sair para ver o animal. Observa-lo. Afinal todos falam tanto que tínhamos que ver aquela figura em nossa frente. E saímos, e conversamos e rimos até entrarmos no ambiente dele.
Então sentamos, nós dois e uma porção de pessoas a espera de um macaco, e a medida em que foi escurecendo o macaco já não me interessava mais, e tudo foi ganhando muitas possibilidades na minha cabeça até que em um determinado momento, com o macaco em nossa frente, nós criamos a nossa própria dramaturgia com as mãos que se atraiam feito um imã, e daquele toque delicado eu fui acariciando sua pele macia e percebendo que isso pra mim era vital.
Depois como num conto de fadas as coisas tiveram que perder sua magia, tivemos que desgrudar nossas mãos, o macaco deixou de ser macaco e tivemos que fingir que nada aconteceu, tivemos que ignorar essa história de amor que aconteceu através das nossas mãos.
Mas é impressionante como os abraços ainda são os abraços, os sorrisos ainda são os sorrisos, o toque ainda é o toque... Mas ainda falta o beijo, a entrega e a decisão.
A importância daquilo tudo não foi só pra mim. eu tenho certeza.
Foi tudo mais ou menos ASSIM.
Todas essas músicas de amor, agora eu finalmente entendi.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Distância
Não que eu queira algo impulsivo, mas eu acho que você quer o mesmo que eu, por isso não entendo a demora, não entendo porque devemos ficar assim, distantes.
Se a demora é pelo medo, não precisa ter medo, eu estou abrindo a porta e o meu coração está vazio esperando você entrar.
Ia ser tão saboroso deitar e dormir do seu lado, e conversar com você sobre tudo, e ouvir as coisas que você anda fazendo, e assistir filmes juntos, e tomar sorvete, e viajar, viajar muito e fazer planos.
Eu quero isso pra mim, pra nós, isso é uma daquelas coisas que o coração pede e a gente tem que atender porque se não ele dói, chora e fica escorrendo lágrimas.
sábado, 22 de outubro de 2011
A Chapeuzinho Vermelho
Mas não estou falando de uma simples e falha lembrança, dessas que passam, eu estou falando dessas que ficam.
Nesse caso foi diferente, eu senti exatamente o que sentia quando acontecia, eu vivenciei novamente seu colo, mãe.
Eu estava lá, ou era como se estivesse lá deitado na cama do beliche de baixo do lado esquerdo do primeiro quarto do sítio.
Você, minha mãe, depois de me acompanhar na escovação dos dentes ia até lá comigo e me contava histórias diversas, e sabia como fazer, as pausas, os silêncios, você era todos aqueles personagens e eu nem sabia. Você me envolvia naquelas palavras de livros infantis e eu embarcava deitado naquela aventura até dormir sobre os lençóis brancos com letras grandes e coloridas estampadas, compondo perfeitamente a paisagem.
Tudo tinha um clima, um cheiro, uma vontade, uma expressão em si mesmo e reverberam em mim.
Daí eu cresci e tento me transformar num grande contador de histórias, tento dar vida a muitos personagens e para isso empresto meu corpo e minha alma a esse ofício, tudo isso para um dia provocar em alguém, ou em muitos desses "alguéns" aquela mesma sensação do beliche de anos atrás.
Aquelas histórias todas fora eternizadas em mim, naquelas madeiras envernizadas da cama, no grande armário de tom claro, e nas janelas azuis.
Eu preciso encontrar o espaço onde vou criar raízes.
Obrigado mãe, por tanta vida.
domingo, 2 de outubro de 2011
Eu escrevia na mente histórias para esses personagens anônimos, enquanto eles talvez nem reparassem minha presença. Eu criei histórias de amor para muitos deles, criei assassinatos, vidas sem graça, traições, brigas... Eu inventava seus dramas e ia lapidando suas vidas apenas pelo rosto, ia determinando quem eram através do "meu" passado imaginário.
E nessa brincadeira de criar histórias para os outros me percebi criando a minha própria, e eu não estava apagando o que já havia sido escrito, na hora de fazer a minha, e virei a página e comecei um novo capítulo. Ainda não o batizei... e foi engraçado como na minha cabeça essa minha trajetória pareceu bastante justa, possível e muito feliz. Eu farei coisas que poucas pessoas fazem, eu irei a lugares que até hoje eu jamais acreditei de verdade que iria, eu conhecerei pessoas ótimas, trabalharei com aquelas pessoas que me estimulam, eu serei escutado por muita gente, eu escutarei muita gente, eu escreverei coisas das mais interessantes... E isso tudo me fez pensar que agora enquanto digito essas palavras eu estou firmando a minha trajetória e que só depende de mim fazer todas essas coisas... eu acredito...
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
saudade...
é.
de você.
Sabe quando o coração avisa e só os pensamentos vão buscar?
Sabe quando o corpo chama mas a boca não diz?
Sabe quando o sono não vem?
quando a foto vira lágrima?
quando a alma avôa?
Sabe quando o sorriso perde a força?
quando a cor desbota?
Sabe quando o pássaro não canta?
quando a lua não encanta?
Sabe?
Saudade. é esse o nome.
e é de você.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Aquele Abraço
Apesar das almas trocadas, o abraço tinha tom de despedida, não de adeus, de até logo mas não se sabe quando.
Um abraço indeciso, com gosto de beijo e cheiro de tchau.
Mas nesse abraço o cheiro era mais forte e eu no final não senti o gosto.
Me descolei daquele corpo, e apesar de me sentir atraído feito um imã, eu não grudei de volta, eu esquivei, repeli.
Despedi.